A grande tônica desta semana, que domina os blogs da city, é o caso Marcos Frota X Jocely Abreu, no qual ela o acusa de ter chamado o Acre de bosta. Inúmeros foram os protestos e posts criticando o acontecido. A polêmica foi tanta, que rendeu uma retratação na UNINORTE, durante uma palestra, bem como um pedido oficial de desculpas em uma
entrevista, que irá ao ar na próxima segunda no programa Geração Gazeta. Fora isto, defensores de Frota afirmam que a repórter queria gravar sem autorização, motivo real da confusão. Discussões sobre quem está certo ou errado à parte, um post de um amigo meu me chamou atenção. Diz o post em determinado trecho: "Todo Acreano fala mal do Acre, isso é quase uma verdade absoluta. O problema realmente é quando fulano ou ciclano que não nasceu aqui fala mal." ( http://www.docepauliceia.blogspot.com/ Achei interessante esta observação, o que me lembou um episódio que ocorreu logo que eu cheguei aqui.
entrevista, que irá ao ar na próxima segunda no programa Geração Gazeta. Fora isto, defensores de Frota afirmam que a repórter queria gravar sem autorização, motivo real da confusão. Discussões sobre quem está certo ou errado à parte, um post de um amigo meu me chamou atenção. Diz o post em determinado trecho: "Todo Acreano fala mal do Acre, isso é quase uma verdade absoluta. O problema realmente é quando fulano ou ciclano que não nasceu aqui fala mal." ( http://www.docepauliceia.blogspot.com/ Achei interessante esta observação, o que me lembou um episódio que ocorreu logo que eu cheguei aqui.Estava eu com menos de um mês aqui em Rio Branco, conhecendo a cidade, as pessoas e especialmente a história do Acre, me deslumbrando com os detalhes da revolução, sendo que me sentia até certo ponto orgulhoso, pelo fato de uma gaúcho ter ajudado na luta pelos ideais de um povo (para quem não sabe, sou neto de gaúchos e nós temos muito orgulho de nossa terra, cultura e povo). Foi quando em um destes passeios, à noite, na gameleira, resolvi ir em uma banca de pastel daquelas, para lanchar. Havia lá um grupo de pessoas conversando sobre um assunto que eu naum me lembro direito qual, mas resolvi entrar na conversa para me enturmar. Um deles, percebendo meu sotaque sulista, perguntou de onde eu era. Respondi que eu era do Mato Grosso, descendente de família sulista, o que explica meu sotaque.
A isto, um deles falou: "Muita gente de fora está vindo para o Acre para ganhar dinheiro, mas isto é bom, porque só assim o Acre cresce e desenvolve". Foi então que um outro disse um frase que eu jamais pensaria ouvir da boca de um acreano: "Também pudera, a gente, para fazer uma revolução, tivemos (sic) que buscar um gaúcho, porque o acreano sozinho não conseguiria." Fiquei boquiaberto com uma afirmação destas e pensava: "Eu que sou de outro estado, me mudei recentemente para cá estou dando mais valor a esta terra que os próprios acreanos!" De fato, fiquei muito confuso e não entendi (e ainda não entendo) como alguém pode desvalorizar, ridicularizar e depreciar tanto a si mesmo, a sua história e a suas raízes.
De fato, diversas vezes amigos me perguntaram (e ainda perguntam) se eu quero ou pretendo voltar para minha cidade. Respondo que apesar da saudade dos amigos, parentes, das recordações e tudo mais, minha vida agora é aqui. Tanto que da última vez que fui visitar minha cidade, com três dias que estava lá, não via a hora de vir embora, de voltar de lá. 

Não digo que viverei aqui para sempre, haja vista o fato de que depois que a gente deixa a nossa terra natal, não pertencemos mais a um lugar, e sim ao mundo. Mas posso garantir que amo o Acre, valorizo esta terra, embora eu tenha algumas críticas a certos comportamentos e atitudes de pessoas e/ou grupos daqui. Jamais aceitaria alguém falar mal desta terra.
Entretanto, o que me deixa realmente triste não são comentários como o do Marcos Frota, mas sim de acreanos que nasceram aqui, vivem aqui, tiram o sustento daqui, riem, choram e gastam cada segundo nesta terra e reproduzem descaradamente o discurso preconceituoso do colonizador.
Não é hora de criticarmos somente comentários depreciativos e preconceituosos de forasteiros. é hora de nos revoltarmos também contra estas piadinhas e comentários que muitos acreanos fazem desta terra. Chega desta desculpa esfarrapada de que "eu nasci aqui, eu posso falar mal daqui". Vamos procurar nós mesmos (e digo nós mesmos porque moro aqui, porrque sou cidadão acreano) nos valorizar, ter uma maior auto-estima e pararmos com este discurso hipócrita de bairrismo e de acreanidade (ou florestania, como outros preferem).



